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Falhas de energia ameaçam piscicultura no Oeste do Paraná e elevam custos de produção

Oscilações na rede elétrica afetam aeradores, elevam custos e ameaçam uma atividade que tem o Paraná como líder nacional

Publicado em 15/10/2026 às 10:27

(Foto: Reprodução/Sistema FAEP)

A instabilidade no fornecimento de energia elétrica preocupa piscicultores do Oeste do Paraná, uma das principais regiões produtoras de peixes do Estado.

As oscilações e interrupções podem comprometer a oxigenação dos viveiros, provocar a morte de animais e aumentar os custos de produção.

A atividade depende de equipamentos elétricos para manter níveis adequados de oxigênio na água. Quando esses sistemas deixam de funcionar, os peixes ficam expostos a condições que podem comprometer seu desenvolvimento e, em situações mais graves, causar mortalidade em larga escala.

Segundo o Sistema FAEP, entidade que representa os produtores rurais paranaenses, as falhas no fornecimento obrigam piscicultores a recorrer a geradores, elevando despesas com combustível, manutenção e reparos.

Oeste concentra municípios de destaque na piscicultura

Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) apontam Toledo, Palotina, Nova Aurora e Marechal Cândido Rondon entre os principais municípios produtores de peixes do Paraná, ao lado de São José dos Pinhais.

O protagonismo regional faz parte de um cenário em que o Estado lidera a produção nacional de tilápia.

Conforme o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), o Paraná produziu mais de 273 mil toneladas de pescado em 2025, respondendo por quase 70% da produção brasileira de tilápia.

O Estado também tem participação expressiva nas exportações. Das 12 mil toneladas de tilápia enviadas pelo Brasil ao mercado internacional em 2025, metade teve origem paranaense, gerando mais de US$ 28 milhões em receitas.

Os números demonstram a importância econômica da atividade e ajudam a dimensionar a preocupação com problemas que podem comprometer a produção nas propriedades rurais.

Oscilações comprometem a oxigenação dos viveiros

Na piscicultura, os aeradores são equipamentos utilizados para aumentar a quantidade de oxigênio dissolvido na água.

Quando deixam de funcionar por causa de falhas elétricas, os peixes podem sofrer com a falta de oxigenação, especialmente em viveiros com grande concentração de animais.

Edio Chapla, presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP e do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, relata que produtores de diferentes regiões do Paraná enfrentam dificuldades com a instabilidade da rede elétrica.

Um dos problemas é o chamado “pisca-pisca”, caracterizado por oscilações frequentes no fornecimento.

Na região de Marechal Cândido Rondon, segundo Chapla, os episódios são especialmente preocupantes no fim da tarde e no início da noite.

Nessas condições, a tensão elétrica pode ficar abaixo do nível adequado sem que haja uma interrupção completa. Isso pode impedir o acionamento automático dos geradores e comprometer o funcionamento dos aeradores.

Além do risco de mortalidade, a oxigenação insuficiente pode reduzir o ganho de peso dos peixes e prolongar o período de criação até o abate.

O uso frequente de geradores também aumenta os gastos com diesel, troca de óleo e manutenção, além de acelerar o desgaste dos equipamentos.

De acordo com Chapla, a energia elétrica representa mais de 55% do custo de produção de um lote, pressionando a rentabilidade dos piscicultores.

Caso no Paraná expõe riscos da falta de energia

Em São João do Ivaí, no Norte do Paraná, um piscicultor perdeu cerca de 450 mil peixes, equivalentes a 230 toneladas, após problemas no fornecimento de energia elétrica.

A interrupção começou em 29 de setembro e durou aproximadamente 23 horas.

Segundo o produtor, uma pane no gerador comprometeu o funcionamento dos equipamentos de oxigenação dos viveiros.

Mesmo com tentativas de manter os peixes vivos por meios alternativos, a falta de funcionamento dos aeradores dificultou a sobrevivência dos animais.

A propriedade produz cerca de 800 toneladas de pescado por ano e possui frigorífico próprio. A família também fornece peixes para a merenda escolar de 22 municípios paranaenses, além de atender outras instituições.

O episódio evidencia a dependência da piscicultura em relação à energia elétrica e reforça a preocupação dos produtores do Oeste do Paraná, onde a atividade tem participação importante na economia rural.

A estabilidade no fornecimento é fundamental para manter os viveiros em funcionamento, preservar os animais e garantir a continuidade da produção.



Fonte: Portal da Cidade Santa Helena com informações do Sistema FAEP

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