voluntário
Ex-morador de Santa Helena relata rotina de 20 dias em bunker na guerra da Ucrânia
Ex-bombeiro da Defesa Civil diz que viveu em um buraco no chão, ficou semanas sem banho e viu colegas morrerem em ataques de drones na linha de frente
Publicado em 11/06/2026 às 11:31
Escondido em um buraco coberto por madeira, lona e terra, o paranaense Marcelo Andrade, 37 anos, passou cerca de 20 dias próximo à linha de frente na Ucrânia, onde enfrentou falta de água, escassez de alimentos e ataques constantes de drones. Ao final da missão, ele diz ter perdido 10 quilos.
Marcelo, natural de Cascavel e que morou em Santa Helena, vivia nos Estados Unidos há um ano quando viajou à Ucrânia em fevereiro com a expectativa de atuar como médico de combate, por conta da experiência como bombeiro da Defesa Civil do Paraná. Três semanas após desembarcar, porém, foi deslocado para a infantaria — unidade responsável por ocupar trincheiras, manter posições defensivas e avançar sobre territórios inimigos.
Em vídeo enviado ao g1, o voluntário mostrou o interior do abrigo improvisado: um espaço escavado no solo, coberto com lonas e materiais de proteção. Nas imagens, Marcelo e outros quatro homens aquecem água da chuva com chocolate para se alimentarem. “É basicamente um buraco no chão. Não há luz nem conforto”, relatou.
Foto: Arquivo pessoal
Segundo ele, a maior dificuldade foi a interrupção no abastecimento. O envio de suprimentos depende de drones; quando esses equipamentos são abatidos, as tropas podem ficar dias sem comida ou água. Marcelo afirma ter passado três dias sem água e cerca de 40 dias sem tomar banho durante o período na linha de frente.
Os drones russos, diz o voluntário, tornaram‑se a principal ameaça. “Eles são responsáveis pela maior parte das mortes na linha de frente”, afirmou, relatando ter presenciado ataques que mataram vários companheiros a cerca de 100 metros da posição.
Apesar das condições adversas, Marcelo afirma não se arrepender da decisão, mas pretende retornar ao Brasil ao término do contrato mínimo de seis meses.
Atualmente, aguarda transferência para uma unidade especializada em operações com drones, considerada menos exposta que a infantaria, e aguarda novas missões a partir de uma “casa segura” — uma estrutura com características de residência, porém sem energia elétrica regular.
Foto: Arquivo pessoal
Fonte: Portal da Cidade com informações do G1
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