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Simepar diz que estragos em cidades da região não foram causados por tornados

Rajadas de vento ultrapassaram os 100 km/h, mas as análises das imagens de radar e satélite realizadas pelo Simepar descartam a ocorrência do fenômeno

Publicado em 01/10/2026 às 08:30

Ventos fortes causaram destruição em Toledo na terça-feira (29). (Foto: PMT)

Tempestades severas provocaram estragos em diferentes regiões do Paraná entre a tarde de terça-feira (29) e o início da madrugada desta quarta-feira (30).

Na região, Toledo esteve entre os municípios mais atingidos, com danos provocados pelas fortes rajadas de vento.

Apesar dos registros de destruição, as ocorrências analisadas até o momento não foram classificadas como tornados pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

A avaliação foi feita a partir de imagens de radar e satélite correspondentes aos horários e locais dos eventos. Segundo o órgão, não foram identificados indícios suficientes para confirmar a formação de tornados nos pontos analisados.

Ventos passaram dos 100 km/h

Os temporais ocorreram durante a passagem de uma frente fria pelo Paraná. Uma linha de instabilidade avançou pelo Estado, provocando chuva forte, granizo e rajadas intensas de vento.

Entre as medições registradas pelo Simepar, uma estação em Santa Maria do Oeste marcou 105,12 km/h, às 17h15 de terça-feira. Em Umuarama, no Noroeste, os ventos chegaram a 101,5 km/h, às 16h.

Em Toledo, no Oeste paranaense, os ventos provocaram danos significativos, incluindo a destruição de estruturas do aeroporto municipal. Em Umuarama, uma pessoa morreu em decorrência das condições severas.

Como é possível saber se houve tornado?

De acordo com o Simepar, a identificação de um tornado não é feita apenas pela aparência dos estragos. Os meteorologistas analisam inicialmente relatos da população e da Defesa Civil e cruzam essas informações com imagens de radar e satélite.

Isso é necessário porque outros fenômenos podem produzir danos semelhantes. Rajadas associadas a correntes descendentes de tempestades, por exemplo, podem provocar quedas de árvores, destelhamentos e destruição de estruturas sem que tenha ocorrido um tornado.

Quando há suspeita do fenômeno, os especialistas também analisam a forma como os danos estão distribuídos.

Em ocorrências tornádicas, é comum encontrar padrões de danos convergentes e mudanças na orientação dos estragos ao longo da área afetada.

A intensidade de um tornado também é estimada a partir dos danos encontrados. São considerados fatores como o tipo e a resistência das construções, condições de fixação, árvores, postes, torres e outros objetos atingidos.

Levantamento de campo ajuda na investigação

Para confirmar uma ocorrência e determinar características como trajetória, extensão e intensidade, equipes podem realizar levantamentos diretamente nas áreas atingidas.

Durante esse trabalho, os meteorologistas conversam com moradores, registram os danos e utilizam ferramentas de georreferenciamento.

Drones com câmeras e sensores de alta resolução também podem ser empregados, além de imagens aéreas obtidas por aeronaves quando necessário.

Imagens de satélite anteriores e posteriores ao evento também ajudam na análise da área atingida.

Os tornados são fenômenos de escala relativamente pequena e duração curta. Normalmente associados a tempestades severas, podem apresentar ventos extremamente fortes, mas sua formação em um ponto específico não pode ser determinada com precisão apenas com algumas horas de antecedência.

O monitoramento meteorológico consegue indicar condições favoráveis para tempestades severas e até para possíveis tornados, mas a confirmação de que uma determinada tempestade produzirá o fenômeno depende do acompanhamento em tempo real e da análise posterior dos danos.

Fonte: Portal da Cidade Santa Helena com Bem Paraná

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